Aprender a Voar

20-11-2011 22:32

Aprender a Voar

Era uma vez um avô e um neto. Ou um neto e um avô. Tanto faz, desde que os dois estejam juntos, no jardim onde fomos encontrá-los. 
Dizia o neto, apontando uma teia de aranha: 
- Ó avô, porque é que nós não somos capazes de fazer teias? 
Respondia o avô: 
- Claro que somos capazes. Repara nas redes de pesca dos pescadores, nas rendas da tua avó, nos tecidos das nossas roupas? 
Mais adiante, dizia o neto, apontando uma libélula: 
- Ó avô, porque é que nós não somos capazes de voar? 
Respondia o avô: 
- Mas claro que somos capazes. Repara nos helicópteros, nos aviões, nas naves espaciais? 
Pouco depois, dizia o neto, apontando uns peixinhos no lago: 
- Ó avô, porque é que nós não somos capazes de nadar debaixo de água? 
Respondia o avô: 
- Mas claro que somos capazes. Repara nos mergulhadores, nos escafandristas, nos submarinos? 
Concluiu o neto: 
- Afinal, nós somos capazes de tudo, avô. 
- Nem tanto assim - atalhou o avô. - Quase conseguimos fabricar teias como as aranhas. Quase conseguimos voar como as libélulas. Quase conseguimos andar debaixo de água como os peixes. Mas ainda não estamos satisfeitos nem nunca estaremos. 
- E os peixes estão. 
- Os peixes não querem outra vida. Conheces algum peixe com vontade de fazer teias ou de voar? São o que são e contentam-se. Com os homens não acontece assim? 
- Quer dizer que os bichos nunca mudam de vida. Deve ser chato - concluiu o neto. 
- E, que eu saiba, ninguém lhes conta histórias - concluiu o avô.

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